Formulário de Pesquisa

sábado, 10 de setembro de 2005

ORA YEYÊ O !

Água mansa
Caindo da bica
Abro a boca
E eu já não sou
Guardo a guarda
E me pesco
Sereia de água doce
Sereia de maré-mansa
Delírios de noite e meia

Imagens criptógraficas
Em desenhos fosforescentes
Pendurados no ponteiro
Por sobre os rios de Cachoeira
Correm, tic-tac, sem parada
Até o hedonismo profundo do ser
Que se rompe e se contrai
Em pó, barro
E lançado no rio
Lama
ANARQUIA

A rebeldia que nos alimenta
Vem talvez do fel
Derramado pela serpente adâmica
Vem talvez da morte
De heróis que não se sabiam
Vem talvez da dor
De crianças desnascidas
Vem talvez de nós
E dessa vontade incontrolável
De ser

DRUMONDEAR

Não farei versos do tamanho do mundo
Em meu coração já não cabem
E nem eu em mim mesmo
Não vou cantar recordações
De uma terra que nem conheci
Vou dizer a verdade das rosas
Que catei num caminho
Sem pedras
Vou anunciar a loucura
Contida em cada lucidez
E a cada momento voltar-me-ei para ti
E saberei que estás de pé

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Maria da Glória
(ou Lucíola insiste em morrer)

I ATO

Cá estamos
E de repente tudo tem gosto de sempre
Olhos que se voltam indagando:
- Quem é a Dama das Camélias?
Sorrisos espalham-se por seu corpo
Em bocas invisíveis
Bocas que procuram sua boca
Num afã momentâneo
Nada mais

II ATO

E de repente até sentir-se feliz
E até gostar dos vários cheiros
Que invadem sua pele
E até gostar de misturar suores
E ver tudo indo embora
Na curva extrema o riacho
Segue circulando nas feridas
Cá estou
E de repente tudo tem gosto de nunca mais
CAOS PREPARATÓRIO
Geleiras hibernativas degelam desertos
Sem comportas
Mares de água doce lavam ruas e becos
Sem vassoura
Estrelas e satélites estilhaçam nossas cabeças
Sem romantismo
Pessoas correm em direção ao nada
Eu a você
Se o mundo acabar agora
Te amo